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Jogos Vorazes (Suzanne Collins)

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A pagadora de promessas

Sou muito grata à literatura. Ela salvou a minha vida de todas as maneiras que poderia salvar. Compreendam, eu não disse que a literatura É salvadora, eu disse que ela pode salvar, e eu me considero um exemplo disso. Não entrarei em detalhes, porque não quero me desviar do foco deste texto, mas eu precisava situar a importância da literatura na minha vida, antes de prosseguir.

Além de tudo o que fez por mim – me apresentar outros mundos, me levar a lugares nos quais jamais colocarei os pés, entre outros (muitos outros!) – a literatura me reservou uma surpresa: ela me deu amigos. Não por acaso, mantenho, no facebook, dois álbuns bem específicos: um para os amigos que conheci por causa de Harry Potter e um para os amigos que conheci por causa da obra de Tolkien. Com Jogos Vorazes, a situação foi diferente. Não fiz amigos por causa da série escrita por Suzanne Collins, conheci a série por causa de amigos. Mesmo que o texto fique repetitivo, preciso ressaltar que são amigos que fiz por causa da literatura e, dessa vez, quem intermediou o processo foi o fórum Meia Palavra.

Adoro amigo oculto. E quando começamos com essa brincadeira, no Meia Palavra, fiquei empolgadíssima. Por questões que não vêm ao caso, não pude participar do amigo oculto do dia do amigo. Fiquei bem triste em não poder participar, porque eu realmente gosto da brincadeira. Gosto da oportunidade de socialização que ela proporciona, entre outros. Algumas pessoas que também participaram das edições anteriores de amigo oculto do fórum também ficaram tristes pela minha ausência na última edição.

Em um belo dia, um funcionário dos correios entregou um pacote na minha casa. Quando abri o pacote, descobri que 11 amigos,  nove (a Anica e a Bel eu conheci no fórum Valinor) dos quais conheci no fórum Meia Palavra – a saber: Abylos, Anica, Carol Acunha, Gabriel, Gigio, Bel, Maníaca do Miojo, Calib, Marci, Mavericco e Paulinha – tinham preparado um livrinho, com mensagens lindas, para mim, e me enviaram a trilogia Jogos Vorazes. Eu fiquei tão comovida que antes de conseguir entrar no fórum para agradecê-los, tive de esperar um tempo.

Eu já tinha ouvido falar sobre Jogos Vorazes, claro. Mas os comentários que eu ouvia sobre o livro eram substancialmente feitos por parte dos meus amigos que falava sobre o fato de a premissa de Jogos Vorazes lembrar Battle Royale, que eu já li e gosto bastante. Pouco antes de a adaptação cinematográfica do livro de Collins ser lançada, uma amiga, que as pessoas que frequentam o fórum Valinor e/ou o fórum Meia Palavra conhecem como Ceinwyn, me falou que não conseguia parar de se lembrar de mim, quando leu o livro. Segundo ela, eu era a Katniss – protagonista do livro.

Quando perguntei o porquê de tal afirmação, ela logo foi falando que a Katniss era uma mulher forte, que não conhecia o significado da palavra “desistir”, e que era uma mulher independente, admirável, apaixonante.  E comentou, ainda, que outras características da personagem foram decisivas para que ela se lembrasse de mim. Katniss é impulsiva e ranzinza. Pronto. Eu estava convencida de que teria de ler o livro. Passei por ele, na livraria, por diversas vezes, mas não pude adquiri-lo. Eu sempre dizia, mentalmente “fica para a próxima!”.

O meu desejo de ler a obra aumentou quando Tuca publicou, no blog do Meia Palavra, o texto “Jogos Vorazes e o feminismo”.  Então vocês podem imaginar o quão feliz fiquei quando os onze amigos, que mencionei no início do texto, para compensar o fato de eu não ter podido participar do amigo oculto, me presentearam com a trilogia. Na ocasião, prometi-lhes que resenharia os três livros e, agora, que terminei de ler os três livros, começo a cumprir a minha promessa.

Que comece a resenha!

 Image
O foco narrativo de Jogos Vorazes é centrado na primeira pessoa. Tomamos conhecimento dos fatos a partir do olhar de Katniss Everdeen, uma jovem de 16 anos que cuida da sua família desde antes de completar 12 anos. Quando o pai de Katniss faleceu, vítima de uma explosão na mina em que trabalhava – o Distrito 12, lugar em que a adolescente vive, tem como especialidade a produção de carvão – ela se viu obrigada a descobrir maneiras de garantir a sobrevivência da mãe – que entrou em depressão após a morte do marido – e da irmã mais nova.

As três passaram fome, até que a irmã mais velha, vendo a irmã que amava literamente morrer de fome, decide quebrar regras e se lançar em busca de meios de sobrevivência. Foi assim que Katniss acabou se tornando uma especialista na arte de caçar, o que era um dos seus principais trunfos para se manter viva durante a realização dos Jogos Vorazes. E impulsionada pela necessidade de aprender a caçar, Katniss conheceu Gale, o seu melhor amigo que, assim como ela, perdeu o pai na explosão que houve na mina e também tinha de garantir a subsistência da família.

“- Senhoras e senhores, está aberta a septuagésima quarta edição dos Jogos Vorazes!” (p. 162). Na realidade, os Jogos Vorazes já haviam começado há muito tempo, bem antes de o apresentador dos jogos anunciar o suposto início da septuagésima quarta edição da competição. O fato de os 13 distritos constituintes de Panem – um país que nos apresenta uma realidade pra lá de distópica – terem empreendido uma revolta contra a Capital já demonstra isso. A instituição dos Jogos Vorazes, como maneira de fazer com que os moradores dos distritos se lembrem de como pode ser doloroso se revoltar contra a Capital, é uma maneira de reencenar a voracidade com a qual a Capital devorava, dia após dia, as forças das pessoas dos 12 distritos que ainda restaram depois da revolta.

Na abertura da Colheita – cerimônia na qual os tributos de cada distrito que participarão dos Jogos Vorazes são escolhidos – o prefeito disserta sobre como os jogos surgiram:

Ele conta a história de Panem, o país que se ergueu das cinzas de um lugar que no passado foi chamado de América do Norte. Ele lista os desastres, as secas, as tempestades, os incêndios, a elevação no nível dos mares que engoliu uma grande quantidade de terra, a guerra brutal pelo pouco que havia restado. O resultado foi Panem, uma resplandecente Capital de treze distritos unidos que trouxe paz e prosperidade a seus cidadãos. Então vieram os Dias Escuros, o levante dos distritos contra a Capital. Doze foram derrotados, o décimo terceiro foi obliterado. O Tratado da Traição nos deu novas leis para garantir a paz e, como uma lembrança anual de que os Dias Escuros jamais deveriam se repetir, também nos deu os Jogos Vorazes (COLLINS, 2010, p. 24).

Todo o discurso de que os distritos deveriam ser gratos à Capital por terem recebido o “perdão”, proferido pelo prefeito do distrito 12 e pelos demais responsáveis pela realização dos jogos, nos remete, imediatamente, ao clássico livro de George Orwell: 1984. É impossível, ao nos familiarizarmos com o enredo de Jogos Vorazes, não nos lembrarmos desse clássico da literatura, especialmente quando nos deparamos, no livro de Collins, com a vigilância a qual a Capital submete os 12 distritos. Não seria exagero se adaptássemos uma irônica frase daquele livro “O grande irmão zela por ti” para : “A Capital zela por ti”.

E a ideia de que as pessoas são vigiadas o tempo todo – quem não leu 1984, pode se lembrar da dinâmica do Big Brother Brasil, porque os moldes da competição são o de um reality show – é reiterada durante todo o livro, perpassada, claro, por um discurso crítico. Lembro-me, bem, de uma fala de Katniss, no início do livro, sobre a discrepância entre as cercas que “protegiam” o distrito no qual ela residia e a falta de alimentos para as pessoas do distrito: “Distrito 12, onde você pode morrer de fome em segurança”. (p.12).
As regras dos Jogos Vorazes são simples, embora extremamente cruéis:

Como punição pelo levante, cada um dos doze distritos deve fornecer uma garota e um garoto – chamados tributos – para participarem. Os vinte e quatro tributos serão aprisionados em uma vasta arena a céu aberto que pode conter qualquer coisa: de um deserto em chamas a um descampado congelado. Por várias semanas os competidores deverão lutar até a morte. O último tributo restante será o vencedor. (COLLINS, 2010, p. 24-25).

Ao ver que a irmã, de doze anos, havia sido escolhida como o tributo feminino do Distrito 12, Katniss, imediatamente, se ofereceu para substituí-la como tributo. Peeta Mellark, o filho do padeiro, foi o tributo masculino sorteado para representar o Distrito 12 nos Jogos Vorazes.

O enredo é simples, a trama é simples, mas, nem por isso, deixa de ser interessante. Na primeira parte do livro, temos, além do sorteio dos nomes, a preparação dos 24 tributos – dois de cada Distrito – para os jogos. Embora, inicialmente, a ideia da preparação possa passar a impressão de que a narrativa fica arrastada, o que acontece, na realidade, é o contrário. Durante a primeira parte do livro ganhamos a rica oportunidade de conhecermos um pouco mais sobre Katniss e Peeta e, então, começamos a organizar o que sentimos por eles. Eu já gostei da Katniss desde as primeiras páginas do livro, mas sei que outros leitores demoram um pouco mais para se conectarem aos personagens das obras que leem. Quanto a Peeta, arrisco dizer que ele é um dos personagens mais adoráveis da literatura.

Na primeira parte do livro, assim como o trem que  conduz  os tributos do Distrito 12 à Capital, a narrativa tem um ritmo acelerado. O leitor tem de se preparar para digerir uma quantidade imensa de informações, assim como os personagens, que estão sendo apresentados ao mundo que conheciam apenas pela televisão. Quando os jogos, efetivamente, começam, o leitor já está habituado ao ritmo da narrativa, e, de certa forma, pede para que a dinâmica permaneça a mesma.

Um dos méritos da escrita de Collins está em conseguir manter o ritmo da narrativa mesmo quando os dois tributos do Distrito 12 não estão contracenando. Embora eu esteja falando de cenas enunciativas, o uso da palavra contracenar tem o intuito de ressaltar o caráter audiovisual da escrita da autora, porque o leitor, de certa forma, assume o papel de telespectador dos Jogos Vorazes. E as várias intervenções que Katniss faz, durante a narrativa, para imaginar como as pessoas dos distritos estão reagindo diante dos acontecimentos, instala os leitores em um lugar no qual eles se tornam integrantes dos distritos.

Ter Peeta em cena é interessante para que o leitor seja premiado com alguns momentos de humor, e com a sugestão de um romance, o que é um refresco em meio a tanta tensão ocasionada pelos jogos. Mas não tê-lo faz com que criemos uma expectativa acerca dele. Começamos a conjecturar acerca de quando ele reaparecerá. E mais, começamos a questionar qual será a atitude de Katniss quando ele aparecer.

Quando Katniss está sozinha, temos mais momentos reflexivos, o que é normal por ela se tratar de uma narradora protagonista, mas nem por isso, a narrativa fica arrastada. Entre os momentos de reflexão de Katniss, é interessante destacar aquele no qual ela, ao olhar para a lua cheia, começa a questionar se a lua que vê, na arena em que são disputados os Jogos Vorazes, é real ou é apenas uma projeção arquitetada pelos organizadores dos Jogos. Ela deseja, ardentemente, que seja real. Que seja algo a que ela pudesse se “agarrar no mundo surreal da arena, onde a autenticidade de tudo deve ser colocada em xeque”. (p. 332). Esse momento fez com que eu me lembrasse do filme O show de Truman, no qual o mundo que Truman acredita ser real não passa de um cenário de um reality show.

Enquanto Suzanne Collins luta com as palavras, para a constituição de Jogos Vorazes, os 24 tributos lutam para se manterem vivos. Os holofotes, assim como Haymitch – a única pessoa do distrito 12 que conseguiu vencer os Jogos Vorazes e que, agora, é mentor – estão centrados em Peeta e Katniss, os tributos do Distrito 12, mas nem por isso os demais tributos deixam de ser importantes para o enredo. Pelo contrário. Ao me embebedar das palavras que Gandalf utilizou para se referir a Gollum em O Senhor dos Anéis, posso dizer que todos os tributos têm um “papel a desempenhar” nos Jogos Vorazes.

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Sobre cleomachado

Eu sou a polpa deliciosíssima do nada.

»

  1. Li apenas a introdução antes da resenha, porque prefiro não saber muito sobre o livro antes de começar a ler, e Jogos Vorazes está na minha estante me esperando.

    Preciso dizer que te amo? ❤

    Responder
  2. “Que comece a resenha!” LOL

    Fico feliz que você tenha gostado do livro, Valentina, mesmo que minha participação nesse presente tenha sido pequena (coisa especialmente do Calib e da Bel, como todos sabem). E apesar de já ter visto o filme, achei muito bom ouvir você recontando a história. Não sei explicar porquê, mas “Jogos Vorazes” se tornou para mim como uma daquelas lendas que a gente fica pedindo para os pais repetirem quando somos pequenos: fico pedindo para as pessoas me contarem de novo (tanto que já sei o que acontece nos outros dois livros). Quer dizer, neste caso, em vez de evitar os spoilers, preferi abraçá-los. ^_^

    Sua resenha do primeiro livro já acrescentou vários elementos interessantes de que ainda não tinham me falado: um Peeta mais adorável; a cena da Lua (bem lembrado, Show de Truman); etc. Espero que as próximas venham logo!

    Só mais uma curiosidade boba: a Collins explica de onde vêm esses números? 1462, 731, etc.? Não é importante, mas os números não batem: 24 tributos em 73 edições deveria dar 1752 participantes no total. Ficarei perpetuamente incomodado se não souber… rs

    Responder
    • Gigio, que comentário bonito!

      E, ó, sobre a sua curiosidade, OBRIGADA por ter visto, porque isso aí não faz parte da resenha. hahahaha É nisso que dá postar o treco de madrugada. Isso era outra coisa, que nada tem a ver com a resenha. Sério. Ou seja, Collins não fez essas contas, não.

      Responder
  3. Peeta é um dos mais adoráves, mas também um dos mais ferozes. Ele me comove loucamente.

    É impossível não amar a Katniss.

    Responder
    • Peeta consegue ser bondoso sem fazer o menor esforço. Ele esbanja amor ao próximo, mesmo que isso signifique que ele tenha de colocar a própria vida em risco. E ele trava as batalhas mais difíceis da saga. Lutar contra os outros é complicado, mas lutar contra si é mais complicado ainda.

      Sou muito suspeita para falar sobre a Katniss porque há rumores de que tenho muito em comum com ela.

      Responder
  4. ok,agora quero ler mais ainda que antes 😛

    Sempre amei personagens femininas fortes… Pra constar,minha primeira paixonite foi a vampira, dos x-men.
    Então,por tudo que estão dizendo, creio que vou amar a katniss…
    Eu vi o trailler do filme e a cena onde ela decide ficar no lugar da irmã é fantastica…

    Voce citou battle royalle, é o mangá? Eu li o primeiro volume quando lançou e amei, mas não pude acompanhar… Não conhecia mais ninguém que tivesse lido /o/
    Eu tenho um fraco por essas situações tensas onde as pessoas são colocadas em dilemas morais extremos com a vida em risco.. sempre fico pensando o que eu faria no lugar delas…

    ” Ela deseja, ardentemente, que seja real. Que seja algo a que ela pudesse se “agarrar no mundo surreal da arena, onde a autenticidade de tudo deve ser colocada em xeque”.”

    Isso é spoiler, moça! Ta perdoada, vai 😛 Mas essa cena deve ser muito tensa de ler. Até ela chegar nesse ponto, ja deve ter acontecido muita coisa e a gente ja ta com o coração na mão,né?

    Vou deixar pra ler esses livros quando eu estiver com uma boa dose de energia emocional acumulada… quero emular as emoções dos livros completamente 🙂

    Responder
    • A Katniss é um dos exemplos mais espetaculares de protagonistas fortes, porque ela não é a pessoa mais decidida do mundo, ela não é uma pessoa inalcançável. Ela é forte, mas também tem suas fragilidades, o que faz com que ela seja muito humana.

      E, sim, BR, o mangá, o filme, etc. \o/

      E, Abílio, não deixe pra depois, não. Leia o mais rápido possível. Os livros, realmente, são magníficos.

      Responder
  5. [Vish, falei que is aparecer por aqui sei lá há quantos dias mas esqueci =/ Sooooorry, Cleo!]

    Essa resenha tá pra lá de boa, hein! Me lembrou direitinho como me sentia ao ler o livro, minha apreensão de saber o que se passava ao redor. E essa primeira parte é muito bacana mesmo! Como é um mundo novo, nós leitores ficamos querendo saber tudo sobre, e não fica chata todas as informações!
    A única coisa que não gostei foi que algumas vezes, devido talvez à inexperiência da Katniss em relações sociais (e amorosas), dá vontade de dar na cara da protagonista, e gritar e elucidar logo alguns assuntos pra ela(como do modo em que ela, que vê tudo as coisas de um modo racional, não acredita que a declaração do Peeta na entrevista seja verdadeira… É claro que a realidade deles ali não ajuda, é até natural que ela duvide, ache que aquilo tudo está sendo assim para ajudá-los a ganhar audiência… Mas que me deu raiva, isso deu!

    Tô doido pra ler as resenhas suas dos outros livros(contanto que não tenha spoiler, hahaha) e ter um estímulo a mais pra ler os próximos livros ^^

    Responder
    • Eita, mas o seu atraso em comentar até foi perdoado por causa do “Essa resenha tá pra lá de boa, hein!”.

      E, olha, eu até entendo o fato de a Katniss ser muito “arredia”. Ela não faz por mal, mas é que como já foi muito agredida pela vida, Katniss tende a ter dificuldades em “largar as pedras”. O mecanismo de autodefesa dela fica sempre ligado. Por isso, ela sente dificuldade em confiar nos outros,

      Vish, o problema sobre resenhar os outros livros é que você não poderá ler, porque elas, necessariamente, estarão repleta de spoilers. Não dá para falar sobre os dois outros livros sem soltar spoilers do primeiro livro.=/

      Responder
  6. Terminei de ler a trilogia ontem. Achei o final muito triste =(

    Responder
  7. Demorei um certo tempo, mas enfim, vou comentar.

    A sensação de terminar uma série é sempre marcante. Os velhos sintomas: embrulho no estômago, a despedida de personagens, o adeus do ritmado sonoro das palavras da escritora, a velha voz imperativa, duvidosa e selvagem de Katniss retumbando no fim, o amargurado e acalentado último olhar em Peeta e a compreensão das cicatrizes sendo superadas…
    O clássico entalar da garganta fica, a falta de palavras, nem mesmo comentar mentalmente.
    Agora já digeri e vambora!

    —-x—-
    Comecei pelo filme. Não gostei! Pensei se tratar de mais um “crepúsculo” da vida e me neguei veementemente a ler.
    Por que eu li tu já sabe…

    Duas coisas que tu citou eu gostei bastante ao perceber na leitura, primeiro, 1984 (amo quem me indicou, amei o livro) presente a cada momento, é como se pudesse ver Winston prevendo um futuro (claro que ele seria incapaz de pensar tal história futura), mas era a mesma essência, teletelas em todos os lugares. rsrs

    Gostei muito da forma ritmada que ela escreve, em nenhum momento tornou-se uma leitura massante, e o que mais incomoda e deixa uma dúvida eloquente e gostosa; em todos os três livros fica a questão: quem Katniss escolherá? hahaha
    Ela mesma não era capaz de decidir-se (eu escolheria Peeta, mas Gale era uma boa dúvida) e Collins fez Katniss tão impulsiva, explosiva e incontrolável, a ponto de quem ler não ter a chance de uma certeza antes que ela ditasse o momento. Fenomenal! rsrs

    Eles discutiram em certa noite (Gale e Peeta) “ela vai escolher
    aquele com o qual não ‘sobreviva’ sem… ”
    Engraçada essa parte, resumia ela, e também nada dela. Ela estava sempre mostrando um novo por que da escolha final, era difícil acompanhar as informações… “viver” sem ele? “Sobreviver” sem ele?
    Gostei dessa tirada sagaz de conflitar o que ela era e no que iria se transformar, tanto para tomar a decisão, quanto depois de tomá-la.

    Segundo, ao ler essa frase:
    [“Distrito 12, onde você pode morrer de fome em segurança”. (p.12).]
    Li isso com uma dor tão grande e ao mesmo tempo sorrindo, porque Collins fez de “Os Jogos Vorazes”, uma bela, porém dolorosa crítica.
    Vai ser uma daquelas obras eternas, seja a época em que for lida, terá seu lugar.

    E por último e mais importante. Confesso que sentia saudades de ler um texto com teu jeito, tua maneira de escrever. Ah… teus textos, resenhas, discussões, eles tem vida própria. Maravilhosos!
    Pedem para serem lidos. *-*

    Abs Blanda.

    P.S: Sorry o comment gigantérrimo. ><

    Responder
  8. Demorei um certo tempo, mas enfim, vou comentar.

    A sensação de terminar uma série é sempre marcante. Os velhos sintomas: embrulho no estômago, a despedida de personagens, o adeus do ritmado sonoro das palavras da escritora, a velha voz imperativa, duvidosa e selvagem de Katniss retumbando no fim, o amargurado e acalentado último olhar em Peeta e a compreensão das cicatrizes sendo superadas…
    O clássico entalar da garganta fica, a falta de palavras, nem mesmo comentar mentalmente.
    Agora já digeri e vambora!

    —-x—-
    Comecei pelo filme. Não gostei! Pensei se tratar de mais um “crepúsculo” da vida e me neguei veementemente a ler.
    Por que eu li tu já sabe…

    Duas coisas que tu citou eu gostei bastante ao perceber na leitura, primeiro, 1984 (amo quem me indicou, amei o livro) presente a cada momento, é como se pudesse ver Winston prevendo um futuro (claro que ele seria incapaz de pensar tal história futura), mas era a mesma essência, teletelas em todos os lugares. rsrs

    Gostei muito da forma ritmada que ela escreve, em nenhum momento tornou-se uma leitura massante, e o que mais incomoda e deixa uma dúvida eloquente e gostosa; em todos os três livros fica a questão: quem Katniss escolherá? hahaha
    Ela mesma não era capaz de decidir-se (eu escolheria Peeta, mas Gale era uma boa dúvida) e Collins fez Katniss tão impulsiva, explosiva e incontrolável, a ponto de quem ler não ter a chance de uma certeza antes que ela ditasse o momento. Fenomenal! rsrs

    Eles discutiram em certa noite (Gale e Peeta, no 3º livro) “ela vai escolher
    aquele com o qual não ‘sobreviva’ sem… ”
    Engraçada essa parte, resumia ela, e também nada dela. Ela estava sempre mostrando um novo por que da escolha final, era difícil acompanhar as informações… “viver” sem ele? “Sobreviver” sem ele?
    Gostei dessa tirada sagaz de conflitar o que ela era e no que iria se transformar, tanto para tomar a decisão, quanto depois de tomá-la.

    Segundo, ao ler essa frase:
    [“Distrito 12, onde você pode morrer de fome em segurança”. (p.12).]
    Li isso com uma dor tão grande e ao mesmo tempo sorrindo, porque Collins fez de “Os Jogos Vorazes”, uma bela, porém dolorosa crítica.
    Vai ser uma daquelas obras eternas, seja a época em que for lida, terá seu lugar.

    E por último e mais importante. Confesso que sentia saudades de ler um texto com teu jeito, tua maneira de escrever. Ah… teus textos, resenhas, discussões, eles tem vida própria. Maravilhosos!
    Pedem para serem lidos. *-*

    Abs Blanda.

    P.S: Sorry o comment gigantérrimo. ><

    Responder

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