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Nashville

Publicado em

nashville-serie-official-poster-30julho2012Tenho uma certa dificuldade em estabelecer uma conexão forte com as pessoas sem conhecê-las bem. Preciso conhecê-las para amá-las. Processo semelhante, mas não tão importante, acontece no que tange às séries de  televisão. Preciso que elas me mostrem um motivo para amá-las, um motivo para eu saber que elas são importantes para mim. E o motivo pode ser desde uma citação de um livro que gosto até o ativismo de algum personagem.

Quando vi a chamada de Nashville, no canal Sony, confesso que o meu interesse inicial em acompanhar a série foi fruto da minha paixão pela música Country. As protagonistas, por meio da edição da chamada, pareciam um tanto quanto esvaziadas, superficiais. Decidi que veria o piloto da série por causa do amor que tenho pela música. Queria ver, mesmo que só pela tv, a Music City. Eu não perderia a chance de ver o lendário Ryman Auditorium.  Mas eu também queria ver a arquitetura clássica de Nashville.

O piloto de Nashville é bem simples e nos mostra, sem rodeios, a premissa da série.  Rayna James (Connie Britton, de American Horror Story) é uma lenda viva do Country. Mas depois de vinte anos de sucesso, a carreira da cantora começa a declinar. Ela ainda é respeitada, adorada, mas não enche mais shows como antes. Não emplaca sucessos nas paradas musicais como fizera outrora. Paralelamente à crise da carreira, Rayna tem de lidar com o seu casamento com Teddy Conrad (Eric Close) e com a criação das duas filhas.

O casamento dos dois parecia ser perfeito. Rayna tinha sua carreira, suas turnês, enfim, a fama. Era uma boa mãe e estava presente Nasvhille-Queen-of-Countrysempre que podia. E Teddy era um pai adorável. Mas o pai de Rayna, Lamar Wyatt (Powers Boothe), com quem ela sempre tivera um relacionamento dificílimo, de posse do poder que tinha na cidade, acabou escolhendo o genro Teddy como seu candidato a prefeito para enfrentar Coleman Carlisle (Robert Wisdom). Tal decisão, além de irritar Rayna, que já havia prometido apoio ao candidato Coleman, acabou por abrir novas feridas no âmbito familiar da cantora Country.

A partir do anúncio das duas candidaturas, começa-se a desenterrar quaisquer detalhes sobre a vida dos candidatos, o que pode fazer com que coisas que aparentemente eram sólidas, como o casamento de Teddy e Rayna, acabem desmoronando. E, aqui, acho que a série  ganha um ponto com o telespectador. Não vemos um processo eleitoral sujo apenas por parte de quem se esperaria,  Teddy (que funciona, de certo modo, como marionete do sogro, que é um poderosíssimo político), mas também do candidato que, inicialmente, tem a simpatia de todos, Coleman Carlisle. Acho interessante que a série não se agarre em estereótipos que sugerem que, em uma disputa política, temos um vilão e um mocinho. Antes, ela procura relativizar as coisas, procura mostrar que os jogos de poder envolvendo o processo político são mais complexos do que se pode imaginar.

Nashville1Ao mesmo tempo em que a carreira de Rayna James sofre um declínio, a de Juliette Barnes (Hayden Panettiere, de Heroes) está em plena ascensão. O público da jovem cantora de música Country é composto, majoritariamente, por adolescentes, o que acaba por colocar em cheque o seu talento, uma vez que ela pode ser apenas o fruto do delírio de uma febre adolescente. Para provar que a sua carreira não será meteórica, Juliette Barnes faz o que for possível, até mesmo tentar esconder a sua origem pobre e ignorar a existência da mãe, dependente química, que já fez com que a cantora passasse por situações um tanto quanto ruins. Inicialmente, pode-se pensar que Juliette seja uma insensível, por tratar a mãe de maneira tão rude. Entretanto, no decorrer dos episódios, a personagem vai sendo apresentada com toda a sua complexidade e descobrimos que a maneira com a qual ela trata a mãe e as outras pessoas é o reflexo da maneira cruel com que ela foi tratada pelo mundo. A aparente falta de educação de Juliette é um mecanismo de defesa. Ela procura manter as pessoas afastadas, porque quando elas estiveram próximas, a feriram muito.

Rayna e Juliette têm uma relação ruim. Apesar de serem artistas da mesma gravadora, elas não se entendem e, sempre que se encontram, têm a certeza de que devem ficar o mais longe possível uma da outra. Entre as duas, está o talentosíssimo guitarrista Deacon Clayborne (Charles Esten), tio de Scarlett O’Connor (Clare Bowen). Junto com  Gunnar Scott (Sam Palladio), Scarlett acaba se tornando uma importante compositora.

Deacon foi o grande amor de Rayna. E Rayna ainda é o grande amor de Deacon. E os atores que interpretam esses personagens têm CHARLES ESTENuma química incrível. Antes mesmo que fosse pronunciada qualquer coisa sobre o passado dos dois, eu percebi que havia algo mais do que uma relação entre cantora e musicista entre eles. No início da carreira de Rayna, ela e Deacon formavam um casal invejável. Estavam apaixonados pela música e um pelo outro. E, disso, surgiram belas canções. Entretanto, Deacon acabou se envolvendo com drogas e, depois de um acontecimento que quase lhe custou a vida, foi para a reabilitação. Rayna decidiu seguir a vida. Conheceu e se casou com Teddy. Teve duas filhas. E ainda tinha um grande apreço por Deacon. Os dois se diziam amigos. Mas a química entre eles sempre sugeriu algo mais.

Mesmo com todo o seu talento, Deacon nunca tentou carreira solo. Ele acabou escolhendo ficar ao lado de Rayna, no palco. Não dá para dizer que foi uma escolha completamente acertada, entretanto, quando vemos os dois personagens juntos, conseguimos compreender que alguma coisa, muito forte, existe entre eles. Coisa que ganha belos acordes no segundo episódio da série, quando Rayna e Deacon, com uma química inquestionável, cantam a belíssima No One Will Ever Love You:

Além do roteiro redondinho, o figurino perfeito, a trilha sonora precisa, os cenários lindos e toda química entre os personagens, Nashville ganhou muitos pontos comigo por algumas de suas personagens terem uma pegada feminista. Rayna escolheu sua carreira de cantora mesmo contra a vontade do  pai, um político muito influente que (quase) sempre conseguia o que queria. Rayna escolheu ser cantora, mãe, esposa, enfim, ela tomou as rédeas de sua vida. E, mesmo que tenha nascido em uma família de classe alta, não abriu mão da sua autonomia na hora de escolher os caminhos por que trilhar.

Juliette, que não pôde usufruir da mesma sorte de Rayna, teve de conviver com as dificuldades que a pobreza lhe impôs desde bem nova. Como não podia contar com a mãe para lhe sustentar, quando garota, ela acabava por ter de roubar para conseguir se alimentar. Depois de adulta, por mais moralmente questionáveis que possam ser suas ações, Juliette faz as suas próprias escolhas. A cantora não abre mão da sua autonomia, porque foi por causa dela que ela conseguiu o sucesso na vida artística.

Outra personagem de Nashville que se destaca pela sua força, é Scarlett O’Connor. Ela foi para Nashville viver com o namorado, que, desde novo, tentava o sucesso com uma banda. Ao chegar lá, a moça foi trabalhar como garçonete, e sempre apoiava o namorado. Contudo, ela não recebia o mesmo apoio por parte dele. Quando conseguiu um contrato de compositora, ela viu o quão egoísta o namorado era e, depois de alguns episódios lamentáveis protagonizados por ele, ela acabou por abandoná-lo. Por ser tanto física quanto psicologicamente sensível, a personagem pode passar uma impressão de fraqueza. Entretanto, sensibilidade não é sinônimo de fragilidade. Scarlett não é frágil, ela é forte, admirável e, o mais importante, faz as suas próprias escolhas.

Em síntese, Nashville é uma série um tanto quanto promissora. Espero que ela mantenha o bom ritmo dos primeiros oito episódios e consiga se firmar a ponto de garantir uma segunda temporada, porque seus personagens, a música Country, e os fãs da série merecem que o show continue.

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